sexta-feira, 22 de julho de 2011


Final de Jornada

Ando sem pressa por pensamentos
Doce o sabor dos momentos
Percebo em cada piscar o simples tocar
Do vento do tempo de algum triste lamento
O sorriso do andarilho que se abriga num trilho
O andar do porteiro, firme e certeiro
O astuto vendedor do produto importado
Retirado do navio naufragado
As mãos ágeis do operador, a esperteza do simulador
A embriaguez do sonhador
Que em turno anti-horário
Perde o sono num corredor
Ando entre máquinas , entre vidas, homicidas, divididas
Entre existências e sobrevivências
Roupas protetoras, almas sofredoras, frágeis navegadores e desertores de famílias
Extremas vigílias, ando entre mobílias de lares desfeitos
Viagens sobre efeitos em leitos embebidos de preconceitos
Ando entre pedras, calçadas desniveladas
Não tropeço não me perco
Não me afasto desse cais
Onde vidas se enlaçam se entrelaçam
Acolhem ,recolhem e onde entre trigos e farelos
Todos tem seus castelos


Lú Vitale


obs. Há quase cinco anos trabalho na área portuária de Santos. Dentre todo o aprendizado que venho adquirindo o que mais me encanta é, além de toda a técnica da medicina ocupacional peculiar que é a do trabalho portuário, o aprendizado que trago a cada dia das histórias de vida dos trabalhadores do cais, sejam eles avulsos ou vinculados.
- Grandes"!!!...Voces são heróis!!


2 comentários:

  1. Lindo demais... Agora pouco a pouco me encontro com as histórias desses trabalhadores... realmente são super-heróis escondido atrás de navios nesse imenso cais...

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  2. Amei Lucy... Logo nesta semana que participei de uma oficina sb trabalho portuário... VC como que fotografa ou filma com as palavras! Beijos. Célia. Postei com o e-mail da Mariana...

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