terça-feira, 19 de outubro de 2010


Porto das Etnias

O navio que chega ao berço
Não conheçe nem um terço
Do que aqui vai encontrar
Terra quente
Mar da gente
Povo ardente
Mãe gemente dando a luz ao que é semente
Som latente de criança indolente
Moço velho, moço preto, velho branco
Velho moço desce a vida no barranco
Terra minha e terra sua
Mora aqui a preta nua
Loira clara e potiguara
Veste as cores da arara
Brilho forte mostra o porte
Desse povo sem um norte
Que se entrega a propria sorte
Sem sequer ter passaporte
Porto belo céu com sol
E na luz desse farol
Se embriaga o marinheiro
Forasteiro, derradeiro mensageiro
Que perdido sem roteiro
Deixa aqui como herdeiro
Mais um nobre brasileiro.



Lú Vitale

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