Deixar
Naquele dia em que o sol mais tarde nascera
Sai de casa quieta caminhando só à beira
Sem querer acordar quem nem ainda adormecera
Sem querer viver o dia que nem ainda amanhecera
Sai quieta pela rua escura e vazia
Restos de velas e crenças da romaria
Eu que em nada crera, andava sem rumo
Sem fé, sem vontade, sem dor nem desejo
Seguia-me apenas o som de um bocejo
Meu verso sem letras,fluir de um cortejo
Meu passo de tão raso era a sombra do acaso
Mas andei e andei e com a noite cheguei
E a mesma cidade que cedo deixei
Brilhava com luzes e som de coreto
Contraste com céu, azul de tão preto
Festejos e danças de adultos e crianças
A mesma cidade que na manhã era escura
Nem o dia mudava e assumia sua loucura
De quem ora chora ora ri sem a menor compostura
De quem apenas por hoje observa a pintura
De um quadro sem tema e sem qualquer assinatura
Lú Vitale
* Para uma amiga especial ...a importância de acolher o desânimo como um
adubo necessário para o proximo cultivo neste solo de revezamentos que é vida.

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